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há imensidão
cosmos benedito

"há imensidão"
vídeoperformance
2:46 min
2021

"há imensidão no cais do tempo.

as curas possíveis para

meus males e agonia

estão em minha raiz.

escavu-o.

a fuga é invisível e

a memória existe

para o não-fim.

escavar a fuga como modo de existência, terra.

a memória-fuga para libertar o corpo. des en for mar."

"boca de tudo, sou a ausência no que me calaram.

da onde eu vim, corre um rio

navego chalana, redemoinho engole

terra come. não há fim."

colagem vó.jpg

casca de abacate e colagem digital com fotografia vó Benedita Nunes
instalação
2021

"minha cabeça está nos pluri(uni)versos atemporais, penso o futuro com o que o presente é: silênci-apagamentos e o direito e avesso das configurações binárias.

descobri que meus silêncios vem da ausência da fonética, que não podia existir. já era corrompido pelo espírito do nãosou, como monstro, que me assumiram, fui tornado em privações. o que conseguiriam conter? o que contiveram?

a coreografia instável do poder e os cenários catastróficos sempre se revelaram como morte de tudo o que vive.

é de alguma maneira reconfortante pensar que o fim sempre esteve dado, o fim dessa coreografia confinada, o fim desse mundo.

eu ainda invento a língua da minha travessia trinta anos depois, parto da morte e só a partir dela sou o nãofim vivo, a transmutação.

tudo que é vivo muda continuadamente. e eu só pude entender isso sendo apagado ontocarnalmente, sendo o não-humano e veja, o não humano está em todes que não são cisgêneros e brancos.

o que sobra? a repulsa, o medo, a interação borrada, a incapacidade, a culpa e todos os métodos colonizatórios, de subjugar nossas infinidades e exterminar tudo que vive. apesar do presente colapsado e de não podermos transcender o tempo da miséria e da crueldade, o futuro está para ser moldado, diz J. Mombaça."

coral petrificado com colagem digital da fotografia da minha mãe.png

coral petrificado com colagem digital da fotografia da minha mãe Lilian Rose
instalação
2021

"a água e a terra são elementos cósmicos que reposiciona o moverse, a morte e o nãofim. e isso não é uma especulação ontológica, mas uma práxis do meu breve conhecimento sobre decomposição onde relembro outra epistemobiologica mente.

a metodologia do nãofim é que de todas as formas nós nos reincorporamos nas matérias universais. seja cinza, seja tripas carcomidas, seja os microrganismos, o cálcio na raiz alimentada, seja na composições dos rios voadores ou como poeiras estelares e alimento de peixes-lipoaspiradores. húmus. superfície de inscrição infinita!

 

como desaprender as formas coloniais dos gestos, do somos? como desaprender as formas coloniais dos gestos, do somos?

porque gesto informa corpo, que informa fonética, que informa mundo- não na ordem, mas na desordem. no universo nós somos forjados no caos.

no atualizar da captura do cistema nos movemos entre tecidos e a tecimemória existe enquanto não há morte carnal.o que tecimemória e teciesquecimento te contam e que pode ser transposto para o reposicionar das matériasformas, deslocar os traumas e descolonizar fôrmas (contexto)?

do lugar da onde eu vim. 

corpo se expande

em ritmos do sol.

o tempo é corpo perecível,

transform                     ação.

perfeição desordem 

mu       dança.

movendo incertezas, deslocando abismos

a tradição é coreografia cotidiana.

paz à um corpo atormentado.

não passa nada.

a incerteza a desordem o provisório.

as memórias do medo me lembram 

de que ele é motor que me obriga agir. 

eu não choro mais."

 

“aprender a desesperar é a condição da esperança, e esgotar tudo que existe é a condição de abertura dos portões do impossível”. (Jota Mombaça em Lauren Olamina e eu nos portões do fim do mundo)*

* https://issuu.com/amilcarpacker/docs/caderno_oip_6_digital

0001-3398682911_20210625_001129_0000.png

imagem de satélite do pantanal em Corumbá via google com a colagem digital delas
instalação
2021

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